Irmãos e irmãs em Cristo,
A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, um tempo sagrado de 40 dias que nos convida à conversão e renovação espiritual. Quando recebemos as cinzas sobre nossa cabeça, ouvimos as palavras que ecoam através dos séculos: “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás” (cf. Gn 3,19). Este gesto nos chama à humildade e ao arrependimento, nos lembrando da nossa condição de criaturas dependentes da misericórdia divina.
Como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A Quaresma é o tempo litúrgico dos quarenta dias que prepara para a celebração da Páscoa; durante esse tempo a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto” (CIC 540). É um tempo de graça, um convite amoroso do Pai para retornarmos a Ele de todo o coração.
Durante este tempo quaresmal, somos convidados a viver intensamente os três exercícios quaresmais: a oração, o jejum e a esmola. Jesus mesmo nos ensina no Evangelho: “Quando deres esmola… quando orares… quando jejuares…” (Mt 6,2-18). Esses pilares fortalecem nossa fé, purificam nosso coração e nos aproximam tanto de Deus quanto do nosso próximo.
Santo Agostinho nos exorta com sabedoria: “Rezas? É a tua fé que fala. Jejuas? É a tua esperança que fala. Dás esmola? É a tua caridade que fala”. A oração nos coloca em diálogo íntimo com o Pai; o jejum nos liberta das amarras do mundo e fortalece nossa vontade; e a esmola nos faz instrumentos do amor de Cristo para com os mais necessitados.
O Papa Francisco nos ensinou constantemente: “A Quaresma é um tempo favorável para abrir a porta a cada necessitado e reconhecer nele ou nela o rosto de Cristo. Cada um de nós cruza-se com ele ao longo do caminho. Cada vida que encontramos é um dom e merece aceitação, respeito e amor”.
Neste ano, a Campanha da Fraternidade nos desafia a refletir e agir sobre temas fundamentais para nossa sociedade, promovendo a justiça e a solidariedade. Que possamos acolher este chamado e sermos verdadeiros agentes de transformação social à luz do Evangelho, recordando as palavras do profeta: “Não é este o jejum que eu escolhi: soltar as cadeias injustas, desatar as correntes do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e quebrar todo tipo de jugo?” (Is 58,6).
O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, recordando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Com ramos nas mãos, aclamamos Cristo como nosso Rei: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9). É o momento de caminharmos com Jesus rumo ao Calvário, mas também rumo à glória da Ressurreição.
São João Paulo II nos ensinou: “A Semana Santa é como uma longa procissão na qual Jesus nos convida a acompanhá-lo no caminho da cruz. É um caminho duro, mas que leva à Ressurreição”.
O Tríduo Pascal – Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Vigília Pascal – é o coração pulsante da nossa fé católica. Como afirma o Catecismo: “O mistério pascal da cruz e da ressurreição de Cristo está no centro da Boa Nova que os apóstolos, e a Igreja após eles, devem anunciar ao mundo” (CIC 571). Nestes três dias santos, celebramos o mistério central da nossa salvação: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
Na Quinta-feira Santa, contemplamos o amor sem limites de Jesus que lava os pés dos discípulos e institui a Eucaristia: “Tomai e comei, isto é o meu corpo… Este é o cálice do meu sangue” (Mt 26,26-28).
Na Sexta-feira Santa, meditamos sua Paixão e morte na cruz, cumprindo a Escritura: “Ele foi traspassado por causa de nossas transgressões, esmagado por causa de nossas iniquidades” (Is 53,5). Na Vigília Pascal, celebramos a vitória definitiva sobre a morte.
Santa Teresa de Calcutá dizia: “A Páscoa não é apenas um dia de alegria, mas o início de uma nova vida. Cristo ressuscitou para que também nós possamos ressuscitar com Ele”.
E enfim, chegamos ao Domingo de Páscoa! A alegria transborda em nossos corações: Cristo ressuscitou! As palavras do anjo ecoam através dos séculos: “Não está aqui! Ressuscitou, como havia dito!” (Mt 28,6). Ele venceu a morte e nos trouxe a vida eterna. Aleluia!
São Paulo proclama com vigor: “Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia também é a vossa fé… Mas Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram” (1Cor 15,14.20).
O Papa Bento XVI nos ensinou: “A Ressurreição de Cristo é o fundamento da esperança cristã. Não é uma ilusão; é uma certeza: Cristo está vivo e caminha conosco”.
Esta é a nossa fé, esta é a nossa esperança, esta é a certeza que ilumina nossa caminhada. Que esta Quaresma seja para cada um de nós um tempo de verdadeira conversão e encontro com o Cristo vivo. Que caminhemos juntos, como comunidade de fé, da cinza à ressurreição, da penitência à alegria pascal.
Como nos exorta o profeta Joel: “Convertei-vos a mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e gemidos. Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus” (Jl 2,12-13).
Que Deus nos abençoe nesta santa jornada!
Em Cristo Ressuscitado,“Porque Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16)