O que a Igreja ensina · 2 de outubro
Em 2 de outubro, a Igreja celebra a memória dos Santos Anjos da Guarda. A devoção é antiga e popular, mas tem fundamento na Sagrada Escritura, na Tradição e no Magistério.
Os anjos na fé da Igreja
A existência dos anjos é verdade de fé. O Catecismo da Igreja Católica ensina que eles são criaturas puramente espirituais, dotadas de inteligência e vontade, que contemplam continuamente a face de Deus e cumprem suas ordens (CIC 328-330). A própria palavra “anjo” designa o ofício, o de mensageiro, e não a natureza. Eles servem a Deus e, por Ele, servem também a nós.
O que dizem as Escrituras
A Bíblia fala da missão dos anjos em favor dos homens em muitas passagens:
- Salmo 91,11: Deus ordena aos seus anjos que guardem o justo em todos os seus caminhos.
- Mateus 18,10: Jesus adverte que não se desprezem os pequeninos, pois seus anjos contemplam sempre a face do Pai.
- Hebreus 1,14: os anjos são espíritos a serviço, enviados para o bem daqueles que herdarão a salvação.
- Atos 12,15: a comunidade reunida em oração, ao saber que Pedro estava à porta, pensa que se trata do seu anjo, sinal de que a ideia era familiar aos primeiros cristãos.
- Livro de Tobias: o anjo Rafael acompanha e protege o jovem Tobias em toda a viagem.
Cada fiel tem um anjo?
Sim. Segundo o Catecismo (CIC 336), desde a infância até a hora da morte a vida humana é cercada pela proteção e pela intercessão dos anjos, e ao lado de cada fiel está um anjo como protetor e pastor, para conduzi-lo à vida. Essa convicção atravessa a Tradição, de São Basílio e São Jerônimo a Santo Tomás de Aquino, que ensina que a guarda angélica é um efeito da Providência divina sobre cada pessoa. A Igreja reconhece que o ensinamento vem da Revelação e da fé de todos os séculos.
O que fazem os anjos da guarda
Os anjos da guarda nos protegem dos perigos do corpo e da alma, iluminam nossa inteligência, inspiram o bem e afastam o mal, apresentam a Deus nossas orações e nos acompanham no momento da morte, para nos conduzir a Deus. Eles não substituem Cristo, único Mediador, nem agem por conta própria. Participam da providência amorosa do Pai e nos ajudam a caminhar para o Céu.
Como viver essa devoção
- Invocá-los com frequência. A tradição manda rezar ao anjo da guarda pela manhã e à noite.
- Quem cuida de nós merece gratidão.
- Ser dóceis às inspirações. Quem se deixa guiar pelo bem escuta a voz do seu anjo.
- Respeitar a fé. Os anjos são criaturas e servos de Deus. A devoção a eles termina sempre em Deus, e não no próprio anjo.
A festa dos Anjos da Guarda nos lembra que nunca caminhamos sozinhos. Há um amigo fiel que vê o rosto do Pai e que Deus colocou ao nosso lado.
Protesto de São Carlos Borromeu ao santo Anjo da Guarda, em preparação para a morte
Em nome da SS. Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu, infeliz e miserável pecador, protesto em vossa presença, ó Anjo Santo de Deus, que quero absolutamente morrer na Igreja Católica, Apostólica e Romana, na qual morreram todos os santos que até agora existiram e fora da qual não há salvação. Assisti-me na hora da morte e fazei-me vencer o demônio, inimigo meu e vosso.
Protesto ainda, ó santo Anjo, que estou sob a vossa guarda e proteção: que quero partir desta vida com grande confiança em vosso socorro e com firme esperança na misericórdia do meu Deus. Desbaratai naquele último momento os inimigos de minha salvação; recebei a minha alma quando ela se separar do meu corpo; e depois da minha morte fazei que me seja propício Jesus Cristo, meu Salvador.
Protesto igualmente, ó santíssimo protetor meu, que com o mais vivo afeto desejo participar dos merecimentos de Jesus Cristo, Nosso Senhor, e que espero obter a remissão dos meus pecados, por virtude de sua Morte e Paixão. Detesto todo o mal que cometi em pensamentos, em obras e em palavras. A todos os meus inimigos perdôo, e quero morrer no amplexo da santa Cruz, para mostrar que ponho toda a minha esperança na Paixão do Salvador.
Protesto outrossim, ó amigo meu fidelíssimo, que me abandono aos vossos cuidados e afetuosa caridade no grande passo de minha morte, e que, embora seja verdade que desejo ir logo para o Céu, estou entretanto pronto para apagar com o sofrimento a enormidade de meus pecados; estou pronto para suportar qualquer gênero de castigo que a divina justiça achar conveniente impor-me, ainda que sejam as mais atrozes penas do Purgatório. Assim, também estou pronto para abandonar os meus parentes, os meus amigos, o meu próprio corpo e tudo aquilo que tenho de mais caro, a fim de mais depressa poder ir gozar da presença do meu Deus e provar-lhe o quanto me pesa tê-lo ofendido.
Declaro finalmente, ó Anjo sapientíssimo e vigilantíssimo de minha alma, que vos constituo procurador da minha última vontade e executor deste meu ato testamentário. Dizei a Jesus, meu Salvador, no momento de minha morte, o que talvez já não poderei dizer: que creio em tudo aquilo que crê e ensina a Santa Igreja; que detesto os meus pecados, porque lhe desagradam; que os deposito todos no seu misericordiosíssimo Coração e que de sua infinita bondade espero o perdão deles; que de boa vontade morro, porque assim Ele o quer, e abandono minha alma e minha salvação em suas mãos; que o amo sobre todas as criaturas e por toda a eternidade o quero amar. Amém.